segunda-feira, 3 de maio de 2010

ARTE E MODA: interelações possíveis

A cumplicidade na relação entre estilos, estilistas e artistas que aconteceu em alguns momentos da história do século XX, é o motivo que impulsiona a organização desta mostra, manifestando uma interpretação sobre esta inter-relação.
As afinidades observadas visualmente correspondem a atitudes bem diferenciadas: repensar a vida por meio do vestuário, rever o sistema da moda, criar sinergias arte-moda para imprimir alma à indústria. Através de suas propostas, os artistas usam a “roupa” para discutirem o corpo, abarcando até mesmo questões de identidade, sexualidade, angústia de vida, desejo e fantasia, empregando o vestuário como suporte da expressão artística.
Por muito tempo, a moda ficou relegada a um segundo plano nos interesses da “academia”. Poucos foram os intelectuais que dedicaram um olhar mais atento às suas representações. Seu caráter efêmero a caracterizava como manifestação de menor valor. No entanto, a razão se sua existência está justamente no seu caráter de efemeridade. Inserida na cultura contemporânea, seria impossível deixar o fenômeno da moda passar despercebido.
Embora sem se dar conta do processo de geração da moda, o indivíduo participa ativamente dele. As circunstâncias de sua atuação, no entanto, dependem muito da natureza de sua inserção (voluntária ou involuntária) no contexto social sobre o qual se desenvolve tal processo. Tanto quanto, dependem de suas características culturais. Em outros termos, vale dizer que são fatores como idade, postura com relação à mídia, gostos pessoais, entre outros, que estabelecerão o modo pelo qual se inserirá nesse processo. Pode-se dizer também que a pessoa humana tem vivido, principalmente nos últimos tempos, em função da moda, do processo mediante no qual é gerada, assim como das transformações que esta produz. Pode-se verificar uma natural tendência de ajustamento da pessoa ao processo.
A arte contemporânea, cada vez menos se preocupa com a historicidade da própria arte e direciona seu olhar às questões externas do ser humano, suas relações com o mundo que o cerca, principalmente seu mundo social, com todas as “complicações” que estas relações implicam. Desta forma, é possível perceber no fenômeno da moda, principalmente no desdobramento de “conceito de moda”, uma forte potência para as praticas artísticas, sendo que este abarca em sua gênese a função do traje como extensão do corpo, servindo de elo com o mundo social, e por isso dotado de características culturais, sociais e psicológicas.
ARTE & MODA: desejo e fantasia
No século XX, as vanguardas trouxeram uma nova visão da sociedade. Passaram a explorar todas as formas de expressão possíveis e encontraram nas roupas um suporte contemporâneo e ágil. Os estilistas, por sua vez, receptivos às inovações, intensificaram seus trabalhos com artistas na criação de tecidos, decorações, instalações, exposições e páginas publicitárias em revistas. Arte e moda criaram tal sinergia que hoje estes gêneros se alimentam reciprocamente. A arte traz novos hábitos para o universo da moda e a roupa questiona a arte num de seus temas prediletos: o corpo.

Inserido em nossa cultura contemporânea, o conceito de moda vai além de pura vestimenta e transcende ao nível de expressão temporal, criando novos valores, sentimentos e atitudes. Vestir-se é, antes de tudo, uma conjugação de sentidos. Sentidos que ultrapassam aquilo que pretende exprimir com a roupa que se vai usar. Isto corrobora para uma das grandes funções da moda: o desejo e a fantasia.

Baseado nestes argumentos, esta mostra reúne diversos artistas que independentes de sua poética, encontraram na moda uma possibilidade de suas experiências artísticas.

Bispo do Rosário "Manto da Apresentação"

Salvador Dali
“Aphrodisiac Dinner Jacket”, 1936
Leonilson
Sem título, 1993
(bordado sobre camisa e voile costurados,
cabide de aço e arara de ferro)
Leonilson
Sem título, 1993
(bordado sobre camisas de algodão
sobre cadeiras de madeira)
Mercedes Barros “Yes Brasil”, 1996 (Vordeseite) Série Roupa Suja 160 x 80 cm
Mercedes Barros “ohne Titel”, 1996
(Vordeseite) Série Costume / Uniform
240 x 150 cm
Mercedes Barros “ohne Titel”, 1996 (Rüchseite) Série Costume / Uniform 240 x 150 cm Fabrice Langlad “Crysalide”, 1997 (malha de cola termo-fundível e pérolas barrocas) Valérie Belin Sem título, 1997 Javier Perez “Permanecer no interior”, 1995 (crina e algodão) Jana Sterback “Vanitas: vestido de carne para um albino anoréxico”,1987 (manequim e carne de boi) Elida Tessler "Inda / Still", 1996 (meias de nylon e pregos) 90 x 400 cm Nazaré Pacheco Sem Título, 1996 Cristal, miçanga, lâminas de barbear e cilindro de acrílico 129 x 39,5 x8 cm Nazaré Pacheco Sem Título, 1998 (cristal e lâmina de bisturi) Nazaré Pacheco Sem Título, 1997 (canutilho, cristal e lâmina de bisturi) Carlos Miele “Vestido de fibra ótica”, 2000 Sylvie Fleury “Platinun”, 1995 (aquário, neon, ultravioleta, botas Karl Lagerfeld) Luise Weiss Sem título, 1985 (madeira pintada, 20 x 7 x 9 cm) (madeira e metal pintado, 18 x 8 x 10cm) (pintura sobre alumínio, 15,5 x 7 x 15 cm) Giuseppe Di Somma “Atlas” Giuseppe Di Somma “Regi-Netto” Verônica França “Sutiã de Molas” Verônica França "Blusa lamê" Javer Volpini / Juiz de Fora, maio de 2006

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